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Crítica | O Que Te Faz Mais Forte

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Jeff Bauman era um cara normal de 27 anos quando um atentado durante a Maratona de Boston mudou a sua vida para sempre. Baseado em uma história real, Jake Gyllenhaal assume a missão de interpretar um homem que foi considerado um herói apenas para mostrar que de herói Jeff não tinha nada e, inclusive, preferiria não ter que carregar o fardo de ser um símbolo de resistência para os americanos.

Jeff perdeu as duas pernas após a explosão de uma bomba caseira bem perto de onde ele estava enquanto esperava que sua namorada Erin Hurley (Tatiana Maslany) passasse, bem próximo a linha de chegada. Jeff teve o auxílio de um homem chamado Carlos, que usava um chapéu de cowboy e estava ali tentando ajudar o máximo que podia as vítimas do atentado. Depois disso, e muito contra sua vontade, Jeff se tornou um símbolo de força, resiliência e resistência para a nação americana na época do atentado.

Apesar de ser um filme que flutua entre as temáticas de heroísmo e superação, O Que Te Faz Mais Forte está longe de passar uma mensagem totalmente otimista sobre isso. Na verdade, em grande parte ele contempla mais os sentimentos ruins de impotência, medo e sobrecarga e mergulha profundamente em conflitos que surgem depois de uma situação como essa.

Jeff e Erin passam longe de ser o seu típico casal romântico, perfeitos um pro outro. Apesar de terem momentos de felicidade, a história de amor não é o centro de tudo aquilo, e sim a culpa, as dificuldades e todas as brigas que aconteceram entre eles.

O Que Te Faz Mais Forte é um filme triste, mas não daqueles que te faz soluçar no cinema, ele te obriga a contemplar a falta de esperança e o rápido caminho que pode levar qualquer um ao fundo do poço. De um dia para o outro a vida de Jeff vira de ponta cabeça e ele não tem maturidade mental o suficiente para lidar com isso, é preciso aprender e absorver muitas coisas novas e isso pode sim levar tempo.

Aqui temos também muitas cenas chocantes, que envolvem não só uma recriação do próprio momento do atentado, com muito sangue, pedaços de pessoas, e agonia, mas cenas onde Jeff perde totalmente sua dignidade como pessoa, jogado no chão, no banheiro, em um estacionamento, incapaz de resolver as coisas por si próprio. Essas são de longe as mais tristes, e que marcam o espectador exatamente por não terem medo de mascarar a verdade ou de deixá-la menos cruel ou assustadora.

O Jeff retratado no filme passa longe de ser um herói e isso também é uma das coisas que mais agrada. Apesar de ter perdido as duas pernas e sua vida ter mudado radicalmente, o que mudou foi a forma com que as outras pessoas o viam – o povo americano como um herói, sua família como uma fonte para fama e fortuna – e não tanto como ele próprio se via e se sentia. Jeff era irresponsável antes do atentado e continua sendo depois e isso nos ajuda a entender o quão real esse personagem é.

É óbvio que muitas vezes as expectativas dos outros sobre o que somos ou como devemos agir são um fardo muito grande para nós e acabam dificultando a forma com que nós mesmos nos vemos e isso é muito bem retratado pelo filme e por Gylenhaal e Maslany.

O Que Te Faz Mais Forte passa longe do seu filme de romance dramático onde você espera um final feliz apesar de toda a tragédia. Ele é muito mais sobre o caminho que levou até aquele final e todas as dificuldades que foram encontradas até ali do que sobre uma mensagem de esperança de que todos viveram felizes para sempre. É o tipo de filme que fica com você mesmo depois de sair do cinema e que entrega uma mensagem difícil, mas muito necessária sobre amor-próprio e aceitação.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade