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Crítica | Pantera Negra

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Dez anos depois de entrar e moldar o mercado cinematográfico de Super-Heróis, pouca gente acreditava que a Marvel Studios ainda conseguiria surpreender seu público. Apesar dos personagens carismáticos e dos filmes bem feitos, parecia que eles próprios estavam com dificuldades de replicar a sua conhecida “formulinha”, o tal do segredo para fazer com que os filmes fossem enormes sucessos.

Se preparando para entrar na “Fase 4” de seu universo cinematográfico, ficava cada vez mais claro que alguma coisa precisava mudar, e precisava mudar logo. O público continua indo aos cinemas, as bilheterias continuam quebrando recordes cada vez mais surreais e os Super-Heróis ganharam novamente o status de cool na Cultura Pop, mas as piadas, os filmes sem profundidade emocional e totalmente sem consequências reais, personagens extremamente rasos e vilões fracos começavam a incomodar.

Pantera Negra veio para revolucionar esse universo, assim como Vingadores fez há tantos anos atrás, e talvez até por isso a sensação de assistir ao novo Super-Herói da Marvel nas telonas seja bem parecida com a primeira vez que vimos os heróis mais poderosos da terra juntos.

Com um elenco esmagadoramente negro que entrega atuações impecáveis o filme inteiro, fica claro que essa experiência cinematográfica deveria ter acontecido há muito tempo – e ao mesmo tempo, conseguimos compreender que o terreno estava sendo preparado para isso desde o começo e finalmente atingimos o ponto onde Pantera Negra pode ser lançado como um blockbuster com potencial de quebrar todos os recordes até agora.

O que mais chama a atenção do espectador no filme com certeza é a sua personalidade. Quando você pega um quadrinho na mão, ele tem a cara do personagem principal daquela história. Tanto em questão de ambientação, quanto em questão de roteiro, piadas e por aí vai. A verdade é que os filmes da Marvel estavam virando uma coisa só, sempre com a mesma personalidade, sempre contando uma coisa muito parecida, e apesar de serem sempre bons filmes, eles não conseguiam realmente surpreender. E isso reflete cada vez mais no que o público gostaria de ver, já que filmes como Deadpool, Logan e Guardiões da Galáxia foram os mais recentes grandes sucessos de público e crítica.

Pantera Negra chega para enaltecer a cultura negra de todo o mundo, enaltecer sua beleza, suas cores, sua música, seus costumes. Ele vem também com uma crítica social fortíssima e muito atual que se encaixa perfeitamente na trama, sem parecer forçado. No fundo, o fato de ser um filme de Super-Herói é definitivamente o que menos importa, já que ele se destaca por muitas outras coisas antes de ser simplesmente sobre a jornada desse herói.

Apesar de continuar tendo as piadas típicas da Marvel por todo o filme, Pantera sabe dosar muito bem isso e abraça os momentos dramáticos sem medo nenhum. Além de tudo isso, ele não tem medo de explorar outras temáticas muito mais humanas como amor, amizade, família, lealdade, e por aí vai. Aqui entendemos que esses personagens tem super-poderes e armas de tecnologia alienígena mas que no fundo eles nunca deixam de ser humanos.

Por fim, um dos maiores acertos é o vilão do filme. Cheio de nuances, suas motivações são bem explicadas durante o filme, a gente sabe de onde ele veio e para onde vai e porque ele está fazendo aquilo. Seu arco faz sentido dentro da história e temos até alguns plots twists antes de sua verdadeira identidade ser revelada, ou seja, finalmente o pacote completo de um bom vilão.

O Rei T’Challa ganha todos rapidamente com seu carisma e presenciar todo o crescimento que ele tem durante esse filme dá uma satisfação muito grande. É uma história de origem que não se parece com as outras e, mesmo assim, está claramente nos mostrando como se constrói um herói, durante os tempos mais sombrios e com provações que vem dos lugares menos esperados.

Pantera Negra chega para fazer história com os filmes de Super-Herói por tantos motivos diferentes, que fica difícil escolher o que mais se destaca. Ele com certeza vem para iniciar uma nova era nos filmes de herói, sem medo de se arriscar e sem medo de perder o rótulo de “filme de super-herói” para se tornar um filme de outro gênero, capaz de apaixonar muito mais o público. É um filme que vale a pena ser visto nas telas grandes exatamente por ele ser tão grandioso, em tantos sentidos diferentes.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade