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Crítica | Três Anúncios Para Um Crime

Crítica | Três Anúncios Para Um Crime

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Um dos favoritos do Oscar desse ano é o filme escrito e dirigido por Martin McDonagh e estrelado pela sempre ótima Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime. E não é pra menos, já que além de contar com um elenco de peso, incluindo Woody Harrelson e Sam Rockell, o filme não poderia falar sobre um tema mais atual e mais relevante, especialmente quando se trata de Hollywood.

Três Anúncios conta a história de uma mãe, revoltada pelo assassinato cruel da filha, que foi estuprada na beira de uma estrada, e que depois de tantos meses sem nenhuma solução para o caso, resolve chamar a atenção da força policial para a própria incompetência deles.

Além do próprio feminicídio que o filme aborda, ele também fala um pouco sobre racismo, relacionamentos abusivos e sobre abuso do poder que alguns policiais exercem, principalmente quando se pensa em policias de cidades pequenas nos Estados Unidos. Talvez uma das coisas que mais marcam o filme é quando Chief Willoughby (Harrelson) comenta que o policial Dixon (Rockell) pode não ser o mais correto dos policiais, mas eles não tem realmente tantas opções assim em uma cidade como aquela.

Mas a verdade é que Frances rouba o filme no papel de Mildred, com sua presença expansiva e sempre agressiva e raivosa, em qualquer cena, contracenando com qualquer personagem. E ao mesmo tempo, vemos nela reflexos da mãe carinhosa que ela gostaria de ter sido com sua filha. Engolida pela culpa, Mildred vai atrás de fazer o que sabe melhor, e cria um genial plano de vingança, mas que é mal visto e julgado por todas as pessoas da cidade.

Mesmo assim, com todo seu carisma, Frances cativa o espectador em ficar ao lado dela, por mais que algumas de suas atitudes durante o filme sejam bastante questionáveis. É compreensivo a quantidade de raiva reprimida que ela sente e ela transmite isso de forma real e crua para quem assiste.

Com um roteiro inteligente e cheio de reviravoltas, personagens bastante cativantes e que são muito bem explorados no desenrolar da trama, Três Anúncios Para um Crime desenvolve um cenário onde você gostaria de continuar acompanhando aquela pequena cidade no Missouri e aqueles personagens com vidas tão simples e ao mesmo tempo tão complexas.

Outro destaque fica por conta de James (Peter Dinklage) que rouba as cenas em momentos cômicos, mas que não perde a chance de dar a sua lição de moral em momentos brilhantes para seu personagem, que parece ser o único com algum resquício de normalidade por ali.

Do mesmo jeito que Três Anúncios te faz rir com cenas que beiram o absurdo mas que ao mesmo tempo soam bem reais, o filme é capaz de fazer você chorar, com personagens cheios de profundidade emocional e que transmitem tudo isso nos momentos mais inesperados.

Com quase duas horas de duração, é o tipo de filme que termina sem ter exatamente um final, o que nos deixa ainda mais na vontade de continuar acompanhando aquela história. Com uma direção e fotografia impecável, o filme não deve sair do Oscar com as mãos abanando, tanto nas categorias mais técnicas quanto nas grandes categorias da noite.

Três Anúncios Para um Crime chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de Fevereiro.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade