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Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

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O diretor Luc Besson comprou um novo desafio ao trazer um clássico sci-fi das HQ’s francesas para as telas do cinema num mundo onde grandes franquias de ficção científica como Star Wars e Star Trek são sucesso absoluto. Pra que lado correr em um dos gêneros mais amados dos fãs de cultura POP sem ter aquela sensação de “já vimos isso em algum lugar”?

As dificuldades em transformar Valerian em um produto audiovisual já eram esperadas por Besson que sonha com o projeto desde os tempos de “Quinto Elemento”. O diretor não arriscou a princípio, Valerian deveria abusar dos recursos visuais e isso era um mundo muito distante para Besson. Tudo mudou quando James Cameron surgiu com “Avatar” e evidenciou o CGI e sua capacidade de inovação. Foi um novo começo para Luc Besson, Valerian se tornara viável.

Quase oito anos depois, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas chega aos cinemas do mundo todo. Um filme visualmente espetacular, como planejado por Luc Bensson, porém, repleto de problemas no desenvolvimento da narrativa. Uma pena.

Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

O Ano é 2740, os humanos chefiam o chamado Planeta Alpha, uma antiga estação espacial lançada nos anos 70 que, com o passar dos séculos, se tornou um grande microcosmo de todo universo abrigando diversas espécies de todos os cantos das galáxias. Só por essa concepção, Valerian já demostra o valor de sua mitologia que, por sinal, é bem construída.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas consegue apresentar a grandeza do universo do qual faz parte. São centenas de espécies de diversos mundos em que cada um carrega sua peculiaridade, são planetas inteiros onde seus habitantes podem ser desde adoradores do poder das pérolas, até espécies especializadas em tecnologia e dados bancários.

Tratando-se de criatividade, Valerian é um dos melhores filmes do gênero. Não apenas por pela diversidade de seu universo, mas também pela competência no desenvolvimento dos aspectos visuais. São cenários magníficos de belezas exóticas e contrastantes.

A concepção artística de Valarian é impressionante e admirável. Ao sentar na sala de cinema os espectadores partem em uma grande viagem, é uma verdadeira experiência cinematográfica. Porém, os méritos do longa se limitam a isso.

O roteiro do filme está mergulhado em problemas de desenvolvimento. Ainda que o fato de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas ter acertado ao não fazer do longa um filme de origem dos dois protagonistas, ele peca na evolução de sua curva dramática. O filme inteiro mantém a tensão sempre muito amena e não trabalha a identificação com os personagens ou desperta alguma compaixão do público com eles.  A narrativa é desnorteada e o próprio filme parece não entender pra que caminho seguir.

As motivações de Valerian e Laureline simplesmente não existem. Há uma “forçação de barra” para um romance entre os dois que tenta justificar suas atitudes e criar motivações, mas nada parece verossímil. Dane DeHaan e Cara Delevingne têm atuações consistentes, porém, nada carismáticas. Delevingne ainda se destaca pelo Girl Power de Laureline e sua performance vigorosa.

Outra grande decepção é a personagem Bubble, interpretada pela cantora Rihanna. Bubble é apresentada na trama com um potencial incrível e nos poucos minutos que esteve em cena conseguiu provar isso. No entanto, sua curta aparição culmina em uma das cenas mais piegas do cinema em 2017.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas sem dúvida é um dos filmes mais visualmente interessante dos últimos anos. Considere a imersão nesse novo universo em salas IMAX e em 3D, é uma experiência deslumbrante e merece ser vista. Entretanto, não espere por uma história consistente e emocionante. Se Luc Besson quiser transformar Valerian em uma grande franquia, dessa vez terá que se preocupar muito mais com o argumento de sua história do que com sua estética.

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Will Brandini Um urso, discípulo de Zé Colméia, assaltante de pipoca de cinema que tenta falar nerdices com alguma autoridade enquanto foge do Guarda Smith.