Home Resenhas Cinema Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra
Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

0
0

Há seis anos atrás, com o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem, poucos imaginavam que o retorno de uma das trilogias mais icônicas do cinema atingisse um resultado tão positivo.

Planeta dos Macacos: A Guerra é o encerramento da nova trilogia dirigida por Rubert Wyatt e Matt Reeves que nos conta como os símios dominaram a Terra. O desfecho dessa história chega aos cinemas nessa quinta-feira, dia 3 de agosto, mostrando o ápice de toda jornada da franquia de Planeta dos Macacos.

Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Mais intimista do que nunca, Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme quase contemplativo. O longa de mais de duas horas é extremamente sensível e emocionante. O auge da jornada de César (Andy Serkis) é marcada por impasses morais, percepções sobre fatos, acontecimentos, escolhas e raríssimos momentos de ação. É a primeira vez que somos inseridos de forma tão profunda na consciência de César. Seus dilemas e desafios são sentidos na pele pelo espectador.

A escolha de uma abordagem mais sensitiva no longa não se faz apenas de forma narrativa, as opções técnicas do diretor Matt Reeves refletem muito bem sua intenção. Os planos são geralmente abertos e contemplativos junto a paisagem; temos florestas, desertos, gelo, uma infinidade de panoramas imersivos. É a prova da maturidade de Reeves e do cinematógrafo Michael Seresin (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) que abusam da fotografia na construção do longa.

A trilha sonora de Michael Giacchino também surpreende por sua excelência. O clima de Western paira no ar com seu tema principal e nos remete muitas vezes ao bom e velho Ennio Morricone. Planeta dos Macacos: A Guerra não tem medo de mostrar suas influências; Apocalypse Now é por vezes homenageado e se torna referência no longa que parece abandonar a faceta de blockbuster e passa a permear um cinema de primazia técnica.

Na trama, César atinge seu nível mais humanizado. O símio está mais racional do que nunca e passa a fazer assimilações impressionantes até mesmo para os humanos. No longa, o líder dos macacos encontra seu maior desafio na franquia, O Coronel (Woody Harrelson), um vilão com motivações extremamente táteis que age de forma inescrupulosa em busca de seu único objetivo: a sobrevivência da raça humana.
Além dos tradicionais protagonista e antagonista, o longa acrescenta uma jovem menina (Amiah Miller) que elava o fator emocional do filme, e o bom alívio cômico Bad Ape, um ex-macaco de zoológico que sobreviveu ao holocausto primata e não abandonou os hábitos que aprendeu no convívio com os humanos.

O longa acerta em cheio ao trabalhar com a sensibilidade dos espectadores. O companheirismo, o amor, a proteção da família e, acima de tudo, a sobrevivência da espécie são questões muito impactantes aos humanos e que provocam reconhecimento. César nada mais é que um herói bíblico que busca a salvação de seu povo e Planeta dos Macacos é sua história sagrada.

Planeta dos Macacos: A Guerra encerra um ciclo numa das mais tradicionais franquias do cinema. Novos filmes ainda podem serem anunciados pelo estúdio, mas a trilogia produzida nos últimos anos é extremamente bem desenvolvida e carrega consigo um primor narrativo e técnico não muito comum em outras franquias. É uma bela história que funciona de forma independente de seu universo, que não só emociona o espectador, como também nos dá uma lição sobre a consequência de nossas atitudes.

Comments

Comentários

Will Brandini Um urso, discípulo de Zé Colméia, assaltante de pipoca de cinema que tenta falar nerdices com alguma autoridade enquanto foge do Guarda Smith.