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Crítica | O Rastro

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Depois de anos e anos onde o cinema brasileiro foi resumido a filmes de comédia, que passeavam entre o escrachado e o apelativo, em 2017 temos um novo respiro com a exploração de novos gêneros, com novas pessoas no comando e muita coisa pra oferecer para o público, e é aí que entra O Rastro, filme brasileiro de terror que veio chacoalhar o mercado nacional.

O filme conta a história de João (Rafael Cardoso), um médico que trabalhar na secretária de saúde, onde ele sente que consegue ajudar mais as pessoas a sua volta, durante uma das crises no sistema de saúde em que alguns hospitais do Rio de Janeiro serão fechados.

O conflito principal gira em torno de uma garota chamada Júlia, admitida no hospital durante essa confusão e que tem toda uma áurea estranha em volta dela, mas é só depois que ela some de forma misteriosa que as coisas sobrenaturais começam a acontecer.

Acredito que o filme tem pontos altíssimos, que incluem a fotografia e a direção, que fogem do clichê de filmes brasileiros e focam bem mais em uma ambientação fria, que ajuda a pesar ainda mais no clima de terror. Além disso, uma das coisas mais corajosas e interessantes, é que o filme não tenta ser um filme americano, ele abraça o Brasil e as características daqui e joga com todos os pontos fortes disso, especialmente a tropicalidade do nosso país.

Diferente do que vemos nos filmes lá de fora, o terror é comumente associado com frio, cenas congelantes, invernos, etc. Num país como o nosso isso seria irreal e não teria credibilidade nenhuma, então as cenas são cheias de suor, dos personagens passando calor e criando uma atmosfera de agonia muito forte em cima dessa sensação mais quente, mesmo dentro de um filme mais frio.

Outro ponto alto é que o filme não se prende a uma introdução feliz e contente para um clímax assustador e um final feliz, como também vemos bastante em filmes de terror. O medo e a agonia circulam durante o filme todo, colocando você dentro do clima desde os primeiros minutos.

Porém, talvez a escolha de misturar o sobrenatural com explicações tão racionais sobre as coisas que acontecem talvez não tenha sido a melhor escolha, e a grande reviravolta do filme parece perder um pouco o espectador e se desprender de tudo aquilo que foi construído até ali, levando a gente a acreditar até que aquilo poderia ser um filme completamente diferente.

De qualquer forma, o filme tem seus méritos, que são muito mais do que defeitos, e acreditamos que ele vai abrir precedentes muito bons para o gênero aqui no Brasil, e, claro, ele tem uns ótimos sustos e cenas dignas dos nossos clássicos de terror mais amados que com certeza valem a pena ser vistos! O Rastro chega dia 18 aos cinemas.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade