Home Editorial Crítica | Punho de Ferro mostra a necessidade de reinvenção da fórmula Netflix

Crítica | Punho de Ferro mostra a necessidade de reinvenção da fórmula Netflix

0
0

A convite da Netflix, o Republika POP pode conferir os seis primeiros episódios de Punho de Ferro, a quarta série da parceria entre o serviço de streaming e a Marvel. É claro que quando falamos de uma série Marvel + Netflix a expectativa é enorme, afinal, essa união já concebeu a possível melhor série de herói que existe, Demolidor.

No entanto, as duas séries que sucederam Demolidor tiveram impactos mais modestos. Isso nos trás até Punho de Ferro e sua expectativa elevada de retomar os melhores valores da parceria, e ainda, de quebra, funcionar como junção final dos quatro heróis para a série Os Defensores.

Só que – veja bem, estou odiando ter que dizer isso – não é bem assim. Punho de Ferro é possivelmente a série mais fraca da parceria Marvel na Netflix e tentaremos explicar o porquê.

Punho de Ferro acompanha a trama de Danny Rand (Finn Jones), um jovem adulto que volta a sua cidade natal após anos de sua suposta morte e de sua família em um acidente de avião nas montanhas chinesas. Nesse meio tempo, Danny se manteve na mística cidade de K’un-L’un, onde foi treinado intensamente em artes marciais por monges para se tornar o grande Punho de Ferro.

Diferente das outras séries, Punho de Ferro assume um universo onde as coisas não se estabelecem plenamente. Há muitas questões em aberto que procuram determinar as motivações do personagem e exercer a função de ganchos narrativos entre os episódios. É precisamente ai que encontramos o maior problema de Punho de Ferro.

Ao acompanhar a saga de Danny Rand, caminhamos ao seu lado na redescoberta do mundo. Assim como o protagonista, somos jogados de volta ao “mundo real” e passamos a tentar assimilar o que está acontecendo. Quando a história de Danny começa a clarear em nossas mentes depois de uma porrada de flashbacks e diálogos que tentam explicar o contexto da trama, a motivação do personagem simplesmente se altera, assim, sem tempo pra aprofundamento. Metade da série é desperdiçada nos cinco primeiros episódios em que o protagonista anda em círculos tentando encontrar sua missão.

Mesmo sem a definição do plot no início da série, tivemos algum gostinho de qual seria o “feeling” de Punho de Ferro, e,  para nossa decepção, nada se destacou. Não, você não vai se identificar com o personagem e tampouco comprar sua história. Não vá pensando que a violência compensa o roteiro truncado. Ao longo dos seis episódios, em duas ou três ocasiões, comprovamos que Punho de Ferro é mestre na arte da porrada fofa. As cenas de luta, que deveriam ser destaque numa série em que o protagonista é um especialista em artes marciais, são, em termos práticos, broxantes.

É importante ressaltar que nossa analise se baseia apenas nos seis primeiros episódios da série. Pode ser sim que a coisa melhore nos últimos episódios, mas até onde pudemos conferir, os problemas são muitos.

Finn Jones não convence em seu papel mesmo tentando demonstrar a bondade e ingenuidade de seu personagem. Se partirmos para o elenco coadjuvante a coisa fica ainda pior, Jessica Henwick, que interpreta a lutadora Colleen Wing, se mostra totalmente apática e sem aprofundamento. Não há empatia alguma pelos personagens de Punho de Ferro. O ponto alto da série, ainda que bastante contido, se apresenta nos antagonistas. Tom Pelphrey e David Wenham mandam relativamente bem em comparação com o restante do elenco, e ainda temos alguns personagens já conhecidos do público que garantem um respiro durante a trama.

Em suma, a série consegue entreter em algumas ocasiões, principalmente no que se refere aos momentos de conflito latentes entre facções do universo Marvel nova-iorquino. Punho de Ferro tenta inserir a trama de um novo herói em um universo em confluência e acaba por ofuscar sua história. É uma pena que um personagem com um background tão complexo e com tamanho potencial não seja aproveitado como deveria. Quem sabe em Os Defensores…

Punho de Ferro tem todos seus episódios liberados na Netflix em 17 março. A série foi criada por Scott Buck.

Leia mais sobre as séries da Netflix

Comments

Comentários

Will Brandini Um urso, discípulo de Zé Colméia, assaltante de pipoca de cinema que tenta falar nerdices com alguma autoridade enquanto foge do Guarda Smith.