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Crítica | A Cura

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A Cura é o novo filme de terror de Gore Verbinski, mais conhecido por seu trabalho fenomenal no primeiro “O Chamado” e também na franquia de Piratas do Caribe. Mas falando de filmes de terror, as expectativas eram altíssimas considerando o impacto que o Chamado teve no gênero, quando foi lançado lá em 2002, e eu já adianto: Elas não foram atingidas.

A Cura vai contar a história de Lockhart, um jovem empreendedor que se vê obrigado a ir atrás de seu chefe em um retiro nos alpes suíços. Chegando lá, ele descobre que o local é cercado de histórias estranhas, sendo que a mais estranha de todas é que ninguém nunca vai embora desse retiro. Claro que internamente nós já estamos gritando para que ele dê meia volta e desista desse plano, mas sendo um filme de terror, nosso personagem principal segue em frente, sem medo do que há por vir.

Com um roteiro que deixa muito a desejar, a Cura não consegue te prender na história, seja por ter um personagem principal muito pouco carismático e mais burro do que o normal, que não consegue decifrar o mistério até quase a segunda hora do filme, o que acaba fazendo com que o ritmo se perca bastante e você acabe ficando bem de saco cheio da historinha que está assistindo. O personagem tem diversas possibilidades de sair de lá e, claro, muitas dicas de que algo muito errado está acontecendo, mas por algum motivo ele continua ali, sem ver o que está diretamente na frente dele.

E, falando francamente, de terror o filme tem muito pouca coisa. A história é com certeza perturbadora, mas ela não te envolve o suficiente para te assustar, e as cenas que mais deixam o espectador nervoso são mais por agonia ou aflição do que por medo mesmo. Como na sequência (muito boa) em que ele parece ter ficado preso em um cubículo onde havia uma porta, mas ela deixa de existir, ou na cena em que ele se vê preso em baixo d’água, cercado por enguias e não consegue sair de forma nenhuma.

Mas a verdade é que muitas coisas acabam sendo desnecessárias, como o fato de nosso personagem passar mais da metade do filme com a perna engessada sem motivo algum ou até mesmo dele ter topado participar dos tratamentos bizarros, quando tudo que ele queria era ir embora dali. Na verdade, Lockhart não acha estranho nem quando descobre que o diretor do retiro mentiu sobre ter ligado para o seu trabalho para avisar sobre o acidente que ele sofreu.

Outra coisa que não faz muito sentido é a relação dele com Hannah, a misteriosa garota internada no retiro, a única jovem entre tantos idosos, que constrói uma relação vazia com o personagem principal, que por algum motivo que não fica claro possui um laço com ela e não pode deixar a coitada sofrer sem fazer alguma coisa, mesmo que isso signifique colocar a si mesmo em perigo.

No final, nem mesmo a fotografia incrível consegue salvar um roteiro tão cheio de buracos e nem um pouco interessante, levando um filme que tinha muito potencial a mais uma decepção cinematográfica para os espectadores.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade