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CRÍTICA | SOB PRESSÃO

CRÍTICA | SOB PRESSÃO

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Sob Pressão é um filme brasileiro de Andrucha Waddington que explora a realidade de um Hospital Público que fica na boca de uma favela no Rio de Janeiro. O filme conta com a participação de Julio Andrade como Dr. Evandro, Marjorie Estiano como Dra. Carolina e Ícaro Silva, como Dr. Paulo, e mostra a rotina desses médicos que precisam lidar com situações gravíssimas usando recursos mínimos.

O filme começa com três pacientes chegando ao hospital ao mesmo tempo, vítimas de um tiroteiro que aconteceu na favela próxima. Um deles é um traficante dono do morro, o outro é o policial que estava trocando tiros com os bandidos e, por fim, uma criança, filho de um importante jornalista carioca, que acaba sendo atingindo no fogo cruzado. As três vidas correm perigo e a equipe de Evandro precisa correr contra o tempo para tentar dar uma chance para eles.

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Muito além de um simples filme de médico, Sob Pressão carrega uma grande crítica social a situação precária da saúde pública no Brasil, e como muitas das vezes tudo isso acaba passando batido por nós. E, claro, as críticas do filme não param por aí.

Carolina chega ao hospital para impor a presença feminina no filme, e mostra como as mulheres acabam sempre sendo subestimadas dentro do meio médico (e em todos os outros meios, na verdade), como sendo delicadas, próprias para assumir posições de menos risco. A personagem é apresentada como uma ex-médica dos Médicos Sem Fronteiras, tendo passado anos no Haiti salvando vidas como cirurgiã, e se coloca na equipe como uma das pessoas que mais toma risco. Marjorie está incrível no papel e com certeza faz jus a força feminina dentro do filme.

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Além disso, vemos uma síndrome do pequeno poder quando o General da Polícia quer que os médicos coloquem o policial como sua prioridade ali dentro, mesmo depois que é informado a ele que não existem condições de operá-lo ali, e o melhor a se fazer seria esperar a ambulância e, claro, é imposto a grande questão ética quando o mesmo policial diz a Evandro que qualquer pessoa que morra depois que ele salvar o bandido, seria culpa dele.

Por fim, o jornalista famoso fica indignado com a situação toda do hospital e não pode esperar para sair de lá com sua mulher e seu filho baleado, mas quando a situação complica e a criança precisa ser tratada ali mesmo, o personagem se vê a mercê de um sistema público péssimo e que ele com certeza nunca imaginou que fosse precisar.

Cada um deles é a personificação de uma parte da sociedade e de todos os problemas que carregam, mas que acabam se vendo na mesma posição, precisando do mesmo serviço, o que coloca tudo isso em perspectiva, independente de qual parte da sociedade você seja. E, claro, o filme é daqueles que te sufoca o tempo inteiro, com situações inacreditáveis e um ritmo frenético que não para por um minuto, do começo ao fim. O diretor consegue entregar esse clima para o espectador de forma incrível, te deixando preso aos acontecimentos o tempo inteiro, inclusive durante as gráficas cenas de cirurgias, com muito sangue e vísceras.

Com certeza Sob Pressão é um daqueles filmes que precisa ser visto, se não por suas incontáveis críticas sociais, pelo fato de apresentar um gênero novo dentro do cinema brasileiro, já que explora sem medo as inúmeras possibilidades do mundo médico e do sistema público de saúde.

A estreia do filme será em 17 de novembro.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade