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Crítica | O Contador

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O Contador é o novo filme do Ben Affleck, que chega aos cinemas no dia 20 de Outubro, e conta a história de um contador que se envolve com os maiores mafiosos do planeta, fazendo a fraude dos seus livros de finanças e garantindo a lavagem de dinheiro. Obviamente, isso se torna um emprego extremamente perigoso, e o personagem começa a ser investigado por agentes do Tesouro Americano.

O filme parece ser só mais um filme de ação, porém nosso herói, interpretado pelo Ben Affleck, tem autismo e, por conta disso, é uma pessoa super-dotada. A história se desenvolve misturando flashbacks da infância dele, que não foi fácil, onde seus pais se questionavam se ele conseguiria viver uma vida normal.

Ele cresce para virar um contador de fachada, com um super esquema para fazer a sua lavagem de dinheiro e para ajudar os mafiosos nas lavagens deles, mas o personagem se encontra sendo contratado por uma empresa de robótica, que faz próteses para deficientes, e acredita que esse seria o trabalho mais “tranquilo” que assumiu em tempos. Lá, somos apresentados para Dana, a personagem de Anna Kendrick, que é uma contadora comum que acaba sendo carregada para dentro da confusão que se desenrola nesse cenário.

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Ao mesmo tempo, vemos dois agentes que investigam esse contador. King e Medina são interpretados por J.K Simmons e Cynthia Addai-Robinson, e o que parece ser uma mistura confusa de três linhas do tempo (A investigação, os flashbacks e a missão atual do contador) acaba se unindo perfeitamente no final, com todos os pontos devidamente amarrados, o que me surpreendeu bastante.

Com tantos pontos de vista, o filme parece arrastado em muitos momentos, porque você não sabe onde tudo aquilo vai levar, e parece que está assistindo três histórias completamente diferentes e sem ligação nenhuma e é só bem no final que as coisas começam a se amarrar.

As cenas de ação são muito interessantes e claramente inspiradas nas icônicas cenas de luta dos filmes atuais de super-herói, mas que vão buscar referência lá em Oldboy, o que é sempre muito legal.

Inclusive, a abordagem do nosso personagem principal beira a de um Super-Herói. Por ser bem dotado, o cara consegue enxergar além do que as pessoas normais enxergam, além de ter técnicas de treinamento militar, cortesia do seu pai militar. E tudo culmina para uma Super Pessoa, que vence seus inimigos no punho e no cérebro.

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A parte mais interessante de tudo isso, é a escolha de um personagem com autismo, em um filme que o autismo não é o ponto principal. Por mais que a condição trace a personalidade dele durante o filme todo, em muitos momentos você esquece que está assistindo um filme que trata sobre isso. Por um lado, é muito refrescante ver um filme sobre autismo que não coloca a luz sobre as dificuldades de ter um filho ou de ser uma pessoa assim, mas sim em como isso permite a pessoa se desenvolver, se ela for estimulada corretamente. Eles inclusive trabalham dentro do conceito de que um autista não tem dificuldade de aprendizado, mas sim, foco em outros tipos de inteligência que não as consideradas comuns pela sociedade.

Por outro lado, a questão do autismo parece ser esquecida da metade pra frente do filme, onde paramos de ver os comportamentos repetitivos e obsessivos do nosso personagem, e eles dão espaço para um quase romance com a personagem de Anna Kendrick. Eu teria ficado mais incomodada se esse romance tivesse, de fato, se concretizado, mas ainda assim, achei um ponto que não precisava ter sido explorado. Os dois poderiam muito bem ser apenas amigos, tentando se ajudar, por exemplo.

O final culmina em muitas explicações e vários plot twists, que conectam cada pedacinho de história que você viu até então e, apesar da minha torcida contra, terminam em um final feliz e satisfatório para todos os personagens. Achei que um final triste teria mais impacto numa história como essa, e talvez tirasse a minha sensação de um filme que poderia muito bem ter passado em branco.

O Ben Affleck obviamente dá um show durante o filme, e se você é fã do cara e curte os trabalhos dele, eu garanto que isso vale uma ida ao cinema, o filme é interessante e entrega uma história bem amarradinha e bem surpreendente, mesmo tendo alguns pontos que eu achei um pouco fracos.

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Alice Aquino Paulistana, fotógrafa, viciada em séries de tv e filmes, não dorme sem o Steve Rogers e o Tony Stark de pelúcia do lado e no tempo livre faz faculdade de Publicidade