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“Mãe Só Há Uma”: Novo filme de Anna Muylaert é o Retrato De Uma Geração

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Anna Muylaert, diretora e roteirista brasileira, lançou seu novo filme “Mãe Só Há Uma” após quase um ano da estreia do seu aclamado filme “Que horas ela volta?“, que ganhou prêmios em Sundance e no Festival de Berlim.

Assistir um filme sobre um adolescente que foi raptado na maternidade pode não ser atrativo à primeira vista, porém, Anna Muylaert consegue nos fazer pensar como o próprio Pierre. “Mãe só há uma” não é um filme sobre família, mas sobre identidade.

Após passar anos sendo cuidado e ter criado laços com a sua “mãe”, Pierre, descobre que foi roubado na maternidade, podemos ver sua vida tomando outro rumo. Ele resolve ir atrás de sua família, após sua mãe ir para cadeia. Nesse momento podemos notar não só à visão dos pais envolvidos no caso mas principalmente como Pierre encara tudo isso. Conseguimos notar como um jovem tem sua vida virada de cabeça pra baixo, mudando de nome, endereço e sendo forçado à encarrar sua nova “família”.

As duas mães de Pierre são interpretadas pela atriz Dani Nefuso. Que conforme o andamento do filme você acaba vendo como elas vão sendo afetadas de maneiras diferentes com as atitudes de Pierre. E isso só reforça quem ele é. E se afirme assim.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Pierre lida com sexo e gênero de maneira completamente diferente que seus pais, que são 30 anos mais velhos que ele. Em vários momentos seu pai biológico (Matheus Nachtergaele) tenta entender seu filho. Para ele é muito complicado entender como ele enxerga o mundo de uma maneira tão diferente da dele. Como seu filho usa vestido. Para ele tudo isso tem um impacto muito grande pois não foi educado e nem educou para isso.

Mãe Só Há Uma” é um filme que funciona por ser tão natural. Um ótimo exemplo disso é logo a primeira cena do filme. Nela podemos ver Pierre em uma festa e logo depois ele está no banheiro da mesma transando com uma desconhecida. A câmera vai descendo e podemos notar que ele está usando calcinha. Nenhuma palavra tinha sido dita.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em momento algum Pierre define a sua sexualidade. Ele é apenas ele. Ele não é gay, não é hétero, não é bi e nem trans. Ele usa vestido, pinta as unhas, usa maquiagem e se depila. E NADA disso tem envolvimento com seu sequestro.

Mãe Só Há Uma” nos mostra a sexualidade dos jovens de hoje. Pierre está se descobrindo. A maneira de como o sexo e gênero é tratada no longa é totalmente natural. Mas ao mesmo tempo vemos um choque de gerações. Em cenas com seus pais.

Além de roubos em maternidade e sexualidade mais fluída, “Mãe Só Há Uma” é sobre identidade. Pierre está formando a sua, descobrindo quem ele é, e ele não está se importando com as opiniões alheias. Ele não quer que outras pessoas interfiram nesse processo. Pierre nada mais é do que o reflexo da geração atual. Uma geração que enxerga família, autoestima, amor e sexo de uma forma totalmente diferente e mais aberta. “Mãe só há uma” é o tipo de filme que te prende nos primeiros minutos e te faz sair da sala mas continuar pensando sobre a sociedade atual.

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