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Resenha: Mulher-Maravilha – Sangue

Resenha: Mulher-Maravilha – Sangue

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Uma nova velha mitologia para a Mulher-Maravilha.

Mitologia e cultura pop são velhas conhecidas, que vez ou outra se encontram e resultam, quase sempre, em uma ótima união. É fácil ver isso ao folhear as páginas de um livro como Odisséia, de Homero, e depois trombar com o mesmo Zeus (ou quase o mesmo) nas folhas de uma HQ, ou ao assistir um filme, jogar algum jogo recheado de seres mitológicos. A verdade é que mesclar mitologia e o pop é como apostar em um dos times fortes de uma competição. Se o alvo for o sucesso, as chances são grandes de dar certo.

Mas qual o motivo de comentar sobre essa agradável combinação cultural? Mulher Maravilha, ou, mais especificamente, o encadernado da Panini “Mulher-Maravilha – Sangue”.

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Com o roteiro de Brian Azzarello e a arte de Cliff Chiang e Tony Akins, o encadernado traz as primeiras aventuras de uma das super-heroínas mais importantes e relevantes da cultura pop no universo dos Novos 52, após a reformulação da DC Comics em 2011. E aqui tem o primeiro ponto a tratar. Alguns roteiristas podem errar a mão ao trabalhar com uma personagem como a Mulher-Maravilha, que já tem anos de mitologia própria, e escrever as histórias dela é como pisar em um território divino; qualquer descuido pode descaracterizar a personagem e a transformar em qualquer coisa, menos ela mesma. Neste ponto Azzarello acerta em cheio, e responde bem a pergunta sobre quem é a Diana, a Mulher Maravilha.

Então, quem é Diana? E está é uma pergunta importante no arco apresentado neste encadernado.

Nas seis edições que montam o encadernado, Brian Azzarello mostra a Diana amazona, como quando luta com os dois centauros ao mesmo tempo e arranca o braço de um deles apenas lançando sua espada, ou quando aceita competir contra uma de suas irmãs amazonas, onde claramente se sente bem e confortável em lutar. Aquela é a praia dela. Também apresenta ao leitor a princesa estrategista e embaixadora, que vence Hera, a vilã dessas histórias, com um plano mirabolante e inteligente, ou quando assim que chega à ilha, todas se ajoelham ao reconhecê-la.  Azzarello apresenta todas as (complexas) facetas da heroína e a pergunta “quem é Diana” é respondida como um quebra-cabeça.

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Essa pergunta também é de grande relevância na narrativa que Azzarello cria. Em alguns momentos Diana é chamada de Barro, remetendo a sua criação, sendo aquela que não nasceu, mas que foi moldada por Hipolita com barro e, pela vontade dos deuses, ganhou vida. Esse fato se estilhaça no chão da realidade quando é revelado que na verdade ela é filha de Zeus, destruindo tudo que ela acreditou que era durante toda a vida. A história continua com uma rápida revolta de Diana e depois com a queda de Hipolita pelas mãos de Hera, até o momento da redenção da Mulher-Maravilha, que aceita quem realmente é, filha de sangue da rainha das Amazonas.

O roteiro ágil e direto mostra a que veio. Sem enrolar, a história não se perde em um único ponto, mas não deixa de ser inteligente e coerente dentro do universo da DC.  Tudo é muito bem construído, tornando a leitura agradável e rápida. Crédito de Azzarello, que, mesmo quando trabalha personagens mais adultos, como Constantine, em Hellblazer, consegue manter o ritmo da narrativa atraente e empolgante. Ponto forte da história é a relação dos deuses com os humanos e semideuses, e novamente vemos a excelente união da mitologia e cultura popular. O motivo dos deuses é totalmente crível, até mesmo se comparar com os seus mitos. Invejosos, ciumentos, vingativos, sem preocupação com a vida dos mortais, as divindades são o centro do universo. Tudo que se pode identificar nas epopeias estão nos deuses deste encadernado, lógico que em uma linguagem moderna e bem adaptada.

Tornando a experiência de leitura ainda melhor, a arte de Cliff Chiang cai muito bem, como um kriptoniano caindo na terra e trazendo segurança para a humanidade, dando grande auxilio no roteiro de Azzarello e apresentando uma Mulher-Maravilha que é forte, guerreira, nobre, poderosa e atraente, mas sem partir para os exageros, com uma arte não muito detalhista, mas que se encaixa perfeitamente com a obra.

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Os cenários e personagens são desenhados com traços que despertam a vontade de ficar admirando quadro por quadro, como quando Diana acende as piras com as amazonas morta, ou quando Apolo usa seus poderes e muitas outras páginas.

Já a arte de Tony Akins deixa a desejar. Quebra um pouco o ritmo da narrativa, mas não chega a comprometer a obra final. Em alguns momentos do desenho de Akins, fica difícil entender o que realmente está acontecendo, ou se está acontecendo alguma coisa.

Entre o encontro do antigo com o moderno, a mitologia e o pop, Brian Azzarello entrega uma Mulher-Maravilha completa, que é heroína, nobre guerreira, princesa e deusa, que luta contra deuses antigos e contra sua verdadeira história.

Uma coisa é certa: Ler este encadernado é um excelente convite a conhecer mais dessa icônica e importante personagem, rica em sua própria mitologia.

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