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Resenha: Game of Thrones s06e10 – “The Winds of Winter”

Resenha: Game of Thrones s06e10 – “The Winds of Winter”

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O Inverno chegou.

É assim que as coisas são. Já nos lembrava o Antigo Testamento judaico-cristão (e o Rei Leão) que há um tempo de semear e colher, que os seres nascem, amadurecem e morrem. A terra seca, e se renova para um novo início. Assim é ciclo da vida. Como na natureza, a história humana é cíclica: os filhos crescem para cometer os erros dos pais. O revolucionário vive o suficiente para se tornar o tirano. Nas crises, velhas soluções são apresentadas como inéditas. Os acordos de paz trazem em seu bojo as sementes para a próxima guerra. E dessa maneira continua a marcha inexorável do tempo.

Em Westeros, no entanto, parece que a própria natureza é tão impiedosa e traiçoeira como seus habitantes. A mudança das estações é totalmente imprevisível, com uma delas podendo durar alguns poucos meses ou anos a fio. O último verão durou uma década, trazendo um período de prosperidade e opulência que fez com que uma geração inteira se multiplicasse e esquecesse das guerras do passado, navegando na aventura de uma nova guerra civil.

E agora os corvos brancos de Oldtown se espalham pelo continente anunciando o longo inverno profetizado pelos Starks, não com uma mensagem de renovação, mas com uma promessa de destruição e morte.

Em “The Winds of Winter”, a season finale da sexta temporada, acompanhamos as etapas finais de uma sangrenta revolução que, para além de botar abaixo (literal e figurativamente) antigas estruturas sociais, funda as bases para o início de um novo (e eterno) ciclo de violência e sangue. A roda sangrenta do jogo dos tronos nunca para.

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Poder é Poder

Durante toda a temporada, acompanhamos as desventuras de Cersei Lannister enquanto a Rainha-Mãe era sucessivamente ludibriada por seus adversários. Já havíamos descoberto que a matriarca dos Lannisters é uma péssima estrategista e uma política ainda pior, transformando aliados em inimigos e destruindo a posição de poder deixada por seu pai. Nos últimos episódios, no entanto, a vimos tropeçar a esmo em busca de apoio contra o cerco que rapidamente se fechava a seu redor. O High Sparrow, um dos monstros por ela cultivados, mostrou-se um jogador soberbamente superior.

E sabe o que fazemos quando estamos perdendo um jogo? Chutamos o tabuleiro.

Se há uma coisa única coisa em que Cersei é realmente boa, é em destruição. Em um contragolpe (não completamente) inesperado, ela incinera todos seus inimigos e rivais, dando um fim à revolução religiosa do Pardal e praticamente eliminando a Casa Tyrell. O rastro de destruição não se limita às ruas de Porto Real, ceifando a vida do pobre Rei Tommen (que encontra no suicídio a única forma de se livrar/punir sua mãe). Para criar a sua “nova ordem”, Cersei involuntariamente colhe seu último fruto, tornando possivelmente estéril sua linhagem. A profecia da velha bruxa se cumpre. Cersei não tem mais nada pelo que lutar que não a única coisa que lhe garante a coroa: o poder.

Cersei no Trono de Ferro deve ser uma visão dantesca para Jaime: após tantas reviravoltas, o cavaleiro retorna para os braços de sua irmã apenas para vê-se mais uma vez na trágica posição de servir uma Rainha Louca, líder de um reino de terror e pronta para imolar uma cidade inteira se ameaçada. Uma vez, o então cavaleiro real quebrou sua promessa para evitar o mesmo mal que agora Cersei amante ameaça realizar. A história se repete. É só uma questão de tempo até que o cavaleiro tenha de fazer sua trágica escolha.

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O Norte Unido?

No epílogo da Batalha dos Bastardos, confirmamos pela visão de Bran que Jon é na realidade o filho de Lyanna Stark e o Príncipe Rhaegar, tornando-o sobrinho de Daenerys e o mais um sobrevivente da linhagem dos Targaryen. Isso o traz cada vez mais perto da profecia do Azor Ahai, o mitológico “Príncipe Prometido”. Como é típico dos heróis relutantes, Jon tenta seguidamente fugir do fardo esse papel lhe cobrará. Primeiro, distancia-se de Stannis Baratheon, expulsando a Mulher de Vermelho. Escolhido ou não, há sacrifícios morais que Jon não está disposto a fazer. Ele tenta ainda ceder o controle de Winterfell para sua irmã, a despeito de seus protestos.

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Mas a coalização dos honrados nortenhos, os selvagens e os cavaleiros do Vale só se manterá unida contra o iminente desastre sob a bandeira de um Stark, e especialmente sob o comando de Jon Snow. Em um terrível prenúncio, nobre após nobre jura lealdade eterna para Jon, arrastando-o para o posição antes assumida por seu irmão/primo Robb Stark (e todos nós sabemos como isso deu certo para ele, não é mesmo?). Na própria cena de sagração de Jon como o grande herói prometido já vemos as sementes da discórdia que poderá levar à queda de mais um Stark, materializadas no olhar conspirador de Littlefinger para Sansa.

Após ter sido a real responsável por derrotar Ramsay Bolton, conseguirá a jovem Sansa se retrair e deixar seu irmão tomar o protagonismo da história? Conseguirão os Starks quebrar o ciclo de desconfianças e traições que imperam em Westeros e salvar a humanidade?

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There and Back Again

Após seis temporadas recheadas de reviravoltas, traições e outros acontecimentos inesperados, chegamos finalmente ao endgame da série com as peças voltando a estarem posicionadas de acordo com o final da distante primeira temporada: um continente dividido e arrasado por uma guerra civil, disputado entre os Lannisters em Porto Real e os Starks com seu Rei do Norte, enquanto uma ameaça apocalíptica se avizinha além da Muralha.

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É claro que o elemento novo fica por conta do aguardado retorno de Daenerys Stormborn e sua gigantesca armada à Westeros. Após longos anos encontrando sua verdadeira identidade e juntando forças para sua auto-imposta missão, Dany finalmente decide voltar para a casa que nunca conheceu. Embora uma ainda estranha para o povo daquele continente, ela conta com o sábio conselho de Tyrion (mais uma vez a Mão do Rei, ou melhor, Rainha), e com o apoio de metade das grandes famílias de Westeros.

Mas por trás do discurso revolucionário da Mãe dos Dragões, vemos que a jovem já inicia sua missão fazendo uso dos mesmos instrumentos típicos do Jogo dos Tronos: alianças ocultas com casas inimigas, promessas de casamentos como mecanismos de conquistar lealdades.Mesmo sua viagem militar épica é uma repetição da mítica chegada de seu ancestral Aegon, o Conquistador, ao continente, subjugando os divididos lordes locais com o poder de seus dragões e fundando Os Setes Reinos.

Quando começar a falar sobre Game of Thrones, comentei que essa temporada seria única por contar quase que totalmente com material inédito em relação aos livros originais. É curioso chegarmos ao final dela e percebemos que, confrontados com a dificuldade de elaborar uma trama tão complexa quanto a saga de G.R.R.Martin, os produtores da série resolveram retornar a história quase que para seu ponto inicial. Dessa maneira, eles parecem ter preferido a segurança de navegar por caminhos conhecidos, apostando na incrível produção para agradar a legião de fãs da série. Não que seja de alguma forma ruim: o próprio “The Winds of Winter” tem uma direção, trilha sonora, atuações e roteiro impecáveis, dignos de uma grande produção de cinema.

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Ainda assim, de todas as temporadas, talvez essa tenha sido a mais previsível de todas, salvo por algumas interessantes surpresas (o assassinato do Lord Frey por Arya e o suícido de Tommen realmente me pegaram desprevenido). Os roteiristas também parecem ser bem menos sádicos do que o velho Martin, continuamente entregando o esperado pelos fãs (como a execução de Ramsay e a retomada de Winterfell). Foi também a temporada  mais próxima de entregar algum tipo de “final feliz” para seus personagens. O tema do empoderamento feminino, por sua vez, já subjacente à narrativa original desde o início da série, foi reforçado com afinco durante esses dez episódios, colocando o protagonismo da série nas mãos do elenco feminino.

E quanto aos ventos do futuro? Com a promessa de apenas mais duas temporadas com 13-15 episódios no total, a série certamente chegará ao final antes dos livros, portanto só muito depois saberemos se esse direcionamento para uma trama mais tradicional foi a idealizada por G.R.R.Martin. Com o esforço da HBO de consolidar “Game of Thrones” como umas das melhores séries em exibição, talvez não devamos esperar reviravoltas polêmicas nos próximos capítulos, mas os mais tolerantes certamente verão nas telas um final épico memorável.

O HQCafé encerra aqui sua cobertura da 6ª Temporada de Game of Thrones. Mas como somos nerds e adoramos discutir sobre esses assuntos até a exaustão, iremos acompanhar vocês nesse longo inverno até a próxima temporada, falando sobre notícias e analisando episódio e temas abordados nas Canções de Gelo e Fogo.

Nota do Episódio: 10/10 Taças de Vinhos em homenagem às inimigas

Nota da Temporada: 8/10 Deliciosas Tortas dos Freys!

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