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Resenha: Preacher S01E01 – “Pilot”

Resenha: Preacher S01E01 – “Pilot”

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O piloto da série parece ser um ótimo começo para o difícil caminho de se adaptar a reverenciada série de quadrinhos para a televisão.

Recheada de humor negro e violência hiper estilizada, a série original é adorada e amplamente considerada impossível de ser transcrita para mídias tradicionalmente mais caretas como TV e cinema. Mas Hollywood sempre contou com admiradores da obra original e muita gente com vontade de fazer dinheiro com as lucrativas adaptações de quadrinhos. Convenhamos que estamos na era dourada da televisão, então se a coisa fosse ser feita direito, teria que ser agora. Muitos tentaram ao longo dos anos, mas eis que Seth Rogen e Evan Goldberg conseguiram pegar o desafio, que chega pelas mesmas mãos capazes que nos trouxeram a adaptação de The Walking Dead, a AMC. E aparentemente estão fazendo um bom trabalho.

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O elenco da série (esq.-dir.): Xerife Root (W. Earl Brown), Cara-de-cu (Ian Colletti), Emily (Lucy Griffiths), Tulipa (Ruth Negga), Jesse (Dominic Cooper), Cassidy (Joseph Gilgun), Donnie Schenck (Derek Wilson), DeBlanc (Anatol Yusef) e Fiore (Tom Brooke). Foto: divulgação AMC

Morar em uma cidade pequena pode ser o céu ou o inferno. De uma maneira caricatural, Preacher fala essencialmente sobre o lado positivo (a relação com a natureza, o trabalho mais recompensador, os valores mais diretos, a vida mais simples na qual o tempo passa mais devagar) e o lado negativo (o dia-a-dia maçante, a religiosidade exacerbada, a hipocrisia, o acobertamento de pessoas com poder, o constante escrutínio dos vizinhos) de se viver na “América profunda”. No fundo, são sentimentos relacionados a se sentir abraçado por toda uma sociedade ou se ficar de fora dela caso não se cumpram suas regras. Isso porque não há muita opção: a cidade é seu universo, ou você pertence ou é excluído.

Os três personagens principais estão na turma dos excluídos. Jesse Custer (Dominic Cooper, o Howard Stark jovem) é o pastor da cidadezinha de Annville, no Texas. Atormentado pela morte do pai e com um passado de transgressão, o religioso luta para se redimir com sua cidade e consigo mesmo tentando (sem sucesso) ajudar seu rebanho, mas as regras sociais que tem que seguir para tal parecem cansá-lo. Cassidy (Joseph Gilgun, excelente) é um vampiro irlandês de atitude punk e muito senso de humor que cai de paraquedas (não literalmente, veja bem) na pequena cidade. Tulipa (Ruth Negga), é uma uma viciada com tendências homicidas e amiga de Jesse dos velhos tempos que, bom, vamos dizer que está com uma atitude mais cool e despirocada do que nos gibis.

Suas histórias se cruzam no momento em que uma entidade sobrenatural possui vários religiosos ao redor do mundo, somente para depois explodirem em uma profusão de vísceras e sangue. Jesse acaba se tornando alvo dessa entidade, mas ao invés de morrer, desenvolve poderes de persuasão irresistíveis.

O enredo não segue literalmente o roteiro dos quadrinhos, mas seu espírito está lá, tanto no trio principal como nas cenas totalmente gore ou em participações de personagens que vão ser importantes mais para frente (o Cara-de-cu, o Xerife Root, DeBlanc e Fiore, por exemplo). A série começa em um ponto temporal um pouco anterior ao do gibi, antecipando a aparição de alguns personagens. Meu palpite é que essas mudanças foram principalmente feitas para se desenvolve-los com calma antes que comecem a demonstrar a que vieram. Se eu estiver certo, elas serão bem-vindas; não há pressa, afinal, no ritmo do interior.

Nota: 9/10 corações arrancados do peito.

Resenha feita por HQCafé

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