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Deadpool e o Fim do Heroísmo
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Deadpool e o Fim do Heroísmo

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Há não muito tempo atrás (bota uns 50 anos aí), o conceito que tínhamos sobre a figura do herói (pelo menos nos quadrinhos) era bastante simples. O herói era um cara incorruptível, correto em todos os sentidos e que defendia seu povo lutando contra os opressores. Simples.

Com o passar das décadas, o herói clássico foi dando o lugar aos anti-heróis. E por anti-herói, entenda por aquele que mesmo motivado por razões egoístas, acaba por fazer o bem. Tipo, o cara salva o dia tentando se vingar, por exemplo, de um vilão tão pilantra quanto ele, saca?

E essa mescla de vilão e herói no mesmo personagem é o que deixa tudo mais divertido e foi o que popularizou caras como Deadpool, Wolverine, Justiceiro, Demolidor e até (mais ou menos) o Batman…

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Mas aí entram as perguntas. Por que deixamos de nos identificar com os valores de verdade e justiça? Quando foi que nos sentimos melhor representados por personagens inescrupulosos, confusos e homicidas?

Bom, há estudos e mais estudos sobre o assunto e, no geral, eles meio que se complementam. Alguns apontam para o aumento da percepção da violência no nosso dia a dia. Isso graças às guerras, crises sociais, etc. Basicamente, a violência se tornou tão parte de nossas vidas que virou linguagem. Reconhecemos os heróis mais sangrentos e moralmente questionáveis como os mais coerentes com a realidade.

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Já outros estudos partem de um ponto de vista mais psicológico. Segundo quem entende, a figura do anti-herói “conversa” melhor com a área mais instintiva da nossa mente, que não se preocupa com heroísmo e condutas sociais. Trocando em miúdos, os anti-heróis representam a ideia sedutora de poder fazer maldade com pessoas más.

E um ponto que se deve considerar também é a evolução da narrativa. Assim como as artes gráficas dos quadrinhos evoluíram, a forma de contar histórias e construir personagens também. Antes acreditávamos que bem e mal eram duas coisas diferentes, hoje cremos que são dois lados da mesma moeda, e por aí vai. O interessante nos anti-heróis é que eles nos brindam com o questionamento sobre essa tal “paz e justiça”, desafiando os limites morais do que é certo e errado. Em certa medida, isso é muito bom.

Deadpool

Fato é: Queiramos ou não, lutar pelos ideais da paz e da justiça não só está fora de moda como parece pegar mal. Taí o Superman que não me deixa mentir. Pessoalmente, também prefiro a imprevisibilidade e irreverência de Deadpool, a sisudez do Wolverine e as ideias tortas do Demolidor. Deixa tudo mais divertidos, sem dúvida.

Mas vou deixar aqui uma pergunta: Por onde anda o heroísmo?

 

Comments

Comentários

Pedro Ivo "Uma vez eliminado o impossível, o que sobrar, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade."
  • Diogo Lopes Bastos

    Na minha opinião o heroísmo se perdeu nesse mundo corrupto, onde aqui no Brasil temos o exemplo de que tentar fazer tudo de acordo com a lei só vai te gerar dor de cabeça, a corrupção é o caminho mais fácil e que vai dar mais certo. Onde um pobre fica preso 10 anos por um crime que não cometeu e um rico que roubou milhões vai ficar preso em casa com suas mordomias.
    Atualmente a cada notícia repulsiva que vemos na TV ou internet nos faz ter vontade de quebrar o individuo das piores maneiras, em alguns casos até mata-lo. Temos vistos casos de espancamentos de bandidos por todo o país, isso é o certo a se fazer? Não, só que, infelizmente já notamos que a polícia e a justiça não agem da forma que deveriam, aumentando o sentimento de impunidade e por consequência nosso desejo de fazer o certo, mesmo que signifique cometer outra atrocidade.

    • Pedro Ivo

      Além de nos divertir, é muito legal que as histórias de heróis nos gerem esse tipo de questionamento, Diogo. E como definir justiça hoje em dia, não? Abraços. 🙂

  • Diogo Góes Zanetti

    eu via essa onda vindo desde o netflix.